Pensemos no papel de trouxa, assim como pensamos numa folha de papel A4 que se tornou folha de rascunho: Era semente, foi plantada por algum agricultor, houve um cuidado no regar e adubar para que se tornasse uma frondosa árvore. Cresceram os galhos e as folhas, logo vieram os frutos. O lenhador a cortou e enviou o tronco para a indústria, depois de um sofrido processo se tornou calhamaço de folha A4. Adquirido por uma empresa, foi usada, dobrada, cortada, riscada, amassada e se tornou rascunho, e logo será descartada para o lixo.
Tal analogia permite perceber o quão presente o papel de trouxa está em nossa vida. Desde o nascer somos preparados / predestinados a prestar esse papel. Nossa educação familiar, formal (escola / faculdade) e informal nos moldou para aceitar tal situação! A pessoa que cumpre o papel de trouxa, o cumpre de forma exemplar, e quanto mais cumpre esse papel, mais se apropria dele. Se torna tão íntimo que chega a disseminar esse aprendizado! (Opa!)
Há muita diversidade no Papel de Trouxa, ele permeia os mais variados ambientes: familiar, corporativo, educacional, supermercado, banco, estacionamento e, o mais comum, relacionamentos afetivos! Neste último, o sofrimento se instaura no momento em que o indivíduo se reconhece Trouxa e ele, não satisfeito em o ser, resolve contar ao mundo através das redes sociais, posta no Twitter, no Facebook, foto no Instagram, Snapchat, faz questão que o mundo saiba que finalmente cumpriu o propósito de sua existência: "Trouxidão"!
Para fugir desse tom dramático e melancólico, vale ressaltar que o, tão em voga, Papel de Trouxa só pode ser prestado pelos inocentes, sabiam? Pois, bem, para receber o status a pessoa precisaria ter sido enganada em sua inocência e bondade! Logo, essas pessoas merecem todo nosso respeito, pois carregam em si algo tão importante que é a fé no ser humano!
Lembremos ainda algumas coisas importantes:
1) O trouxa não pode prestar o papel sozinho, ele depende de uma relação, de algo que o motive a exercer a trouxidão;
2) Há de se ponderar que muitos prestam esse papel por iniciativa própria, conscientes disso (acreditem);
3) É possível, sim, deixar de ser trouxa! Assuma as rédeas de sua vida;
4) O trouxa não tem magia ( Fãs de Harry Potter entenderão);
4) O trouxa não tem magia ( Fãs de Harry Potter entenderão);
Soa-me poético, em alguns momentos, se poético fosse.
Já cumpriu seu Papel de Trouxa, hoje?
Por Johnny Santos!









