“Sexo e as negas”
Por: Johnny Santos
Após várias críticas lidas na internet, ouvidas nas rodas sociais que
frequento e nas mídias sociais, atendendo à pedidos resolvi assistir o programa da Rede Globo de
Televisão. Quem acompanha este blog, sabe minha opinião sobre a emissora
destruidora de vidas.
Bem, o tema central do episódio desta terça-feira 23 de setembro, foi o
poder do cabelo e sua influencia na atividade social da mulher, sobretudo da
negra, foco do programa. Primeiro vale observar que o programa é tendencioso e
sem escrúpulos. Sua ideia inicial era valorização da mulher negra.
Escrito por Miguel Falabela, que, por esta obra, acredito que
desconheça a historia passada e contemporânea do povo negro, sua identidade e
sua cultura, me deixou perturbado. A primeira impressão que tive foi de estar preso no passado onde o
negro ainda se mantinha apenas na classe C (apenas pra começar o desenrolar da
conversa), onde não tinha oportunidade de crescimento e de conseguir uma
posição social elevada. Não estou aqui dizendo que o negro tenha as mesmas
condições que o branco, de fato não tem! Estou dizendo que o programa anula
essa ideia e reforça a discrepância.
As personagens são: pobres, mal amadas e todas usadas e abusadas de
alguma forma, a empregada doméstica pelo patrão, a desempregada (que neste
episódio conseguiu um emprego, se humilhando) pelo affair, a funcionária do
teatro, pelo namorado (agora ex) e a ultima por um “eventual”. Tratadas como
meros objetos sexuais, e incentivando essa postura à sociedade.
Um programa cheio de estereótipos, extremamente tendencioso, que
enfurece a comunidade negra, fortalece o preconceito e, o pior, está sendo
transmitido em cadeia nacional para milhões de brasileiros e pela globo
internacional! Não consigo mensurar o que me assusta mais: a não intervenção do
ministério público (se de fato alguém entrou com uma ação), a audiência que o
programa está tendo, a inércia de mobilização contra esta aberração do mundo
televisivo, a defesa ridícula do escritor alegando ser uma homenagem e
valorização da mulher negra.
Ao assistir o programa senti náusea, ânsia de vômito, raiva, nojo,
fiquei perplexo! Me resta agora assistir algo bom pra amenizar o que meus olhos
viram. E que esta informação não seja esquecida, e sim continue sendo
combustível na luta contra essas formas maquiadas de fortalecer a desigualdade
racial.
Angustiado,
Johnny Santos!
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